Escola: Crise ou Mutação
Referência Bibliográfica: CANÁRIO, R. (2001). Escola – Crise ou mutação? In Vários. Espaços de Educação. Tempos de Formação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Palavras-chave: Crise, Mutação, Escola, Sociologia da Educação
Reflexão Crítica: O artigo “gira” em volta de uma questão fundamental que consiste em saber o que se passa efectivamente com a Escola – a tal falada crise é real ou a escola passou ou está a passar por um processo de transformação?
A chamada “Crise da Escola” ou “Crise Mundial da Educação”, surgiu nos anos 70, como resultado de uma série de mudanças das estruturas económicas e sociais, agravadas com o choque petrolífero e com o desaparecimento do Welfare State nos Estados Unidos da América, a mais poderosa potência ocidental; abandono que progressivamente se tem estendido aos países europeus. A nível económico, a aceleração do capitalismo neoliberalista foi acompanhada por uma profunda crise social, uma precarização das condições de vida dos trabalhadores em geral e por despedimentos colectivos. Uns anos antes, a nível político, ao mesmo tempo que a ONU declara o direito dos povos a disporem de si mesmos, os países mais desenvolvidos vão-se organizando em grandes organizações económicas transnacionais (mais tarde políticas) numa tentativa de serem criados grandes e poderosos blocos económicos capazes de fazerem frente a um futuro que cada vez mais se torna imprevisível. Estes consecutivos progressos são acompanhados pela a democratização generalizada dos Estados do mundo (mantêm-se as excepções). A democratização e a promessa de igualdade de oportunidades para todos os seres humanos, gerou nos povos e nas classes desfavorecidas um especial sentimento de esperança com vista a um futuro melhor, melhores empregos e melhor qualidade de vida. A esperança estava depositada nas novas gerações das famílias mais simples… o filho do operário não mais teria de ser operário e o filho do agricultor não teria de ser submetido aos rigores e imprevisibilidade da natureza, bastaria para isso que estudasse e estudasse durante mais anos…
As mudanças estruturais expostas anteriormente, acabam no entanto por resultar em realizações bem diferentes das esperadas, nomeadamente no que respeita ao papel atribuído à Escola. A escolarização, mesmo a obrigatória, não só não tem contribuído para atenuar as desigualdades sociais, como paradoxalmente as tem agravado. As diferenças entre ricos e pobres, quer a nível nacional, quer entre nações, tem vindo a agravar-se. Se a escola pretende, por um lado, aprofundar o sentimento de pertença de uma comunidade / nação e a consciência de cidadania; por outro, as pessoas não estão, por isso, mais participativas nos sistemas políticos e existe um crescente desinteresse por temas e discussões que são pertinentes….
O modelo escolar tendeu a hegemonizar-se e não tem em consideração as profundas alterações económicas e sociais, os contextos específicos e as particularidades individuais. Por outras palavras, tudo mudou só a escola permaneceu na mesma lógica desde que surgiu como instituição / organização. E como fazer face a esta realidade? O Professor Rui Canário lança várias sugestões nesse sentido, por exemplo, sugere que se admita que existe uma mutação e não uma crise. Será, no fundo, a admissão de um “ponto de não retorno”… assim, necessariamente terão de ser encaradas novas perspectivas, novas formas de olhar o sistema escolar. A segunda sugestão vai no sentido de “repensar a escola fora dela”, seguindo uma lógica não necessariamente escolar, mas tendo em consideração outros processos formativos e biográficos.
Outras referências bibliográficas: Não foram consultados outros documentos.


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