quinta-feira, junho 16, 2005

Desenvolvimento, Progresso ou Facilitismo???

Segundo o último relatório do Eurostat (para quem não sabe, o organismo responsável pelos estudos estatísticos na UE), apenas 29% dos portugueses navegaram na net durante o primeiro trimestre deste ano. Comparemos agora a média da UE: 47%...
As empresas portuguesas têm uma percentagem de utilização bem superior à dos privados: 77%, mas ainda assim inferior à média das empresas europeias - 89%.

Quanto ao perfil dos utilizadores da internet em Portugal, o Eurostat refere que 90% dos homens com instrução elevada e 80% das mulheres nas mesmas condições utilizam a net na sua actividade diária, valores que são superiores aos da UE - 80 e 74% respectivamente.

A grande diferença regista-se entre os utilizadores com reduzida instrução. A nível europeu, 30% dos homens e 23% das mulheres usam computadores no seu dia-a-dia. Em Portugal, a percentagem desce para 18 e 11% respectivamente.

Na faixa etária dos 16 aos 24 anos, a percentagem de mulheres (64%) integradas na Rede é ligeiramente superior à dos homens (63%). A partir dos 55 anos, apenas 8% de homens e 3% de mulheres demonstram estar familiarizados com os computadores.

Esta notícia pode ser lida no D.N de 13 de Junho de 2005...


Depois de ter trocado algumas impressões com alguns professores e com alguns pais sobre estas questões, resta-me uma última dúvida... somos poucos a empreender viagens pelos meandros da internet, mas já somos alguns... os preços das comunicações deverão baixar e naturalmente os índices de utilização subirão... mas... estaremos a fazer um uso correcto da internet?? Saberemos fazê-lo?? Ou, pelo contrário o (ab)uso da mesma está a tornar os nossos jovens cada vez mais e mais preguiçosos e defensores de uma sociedade facilitista? Receio que a última possibilidade seja a mais verdadeira... e aproveito para relembrar que já não se fala de "Sociedade de Informação" mas sim de "Sociedade do Conhecimento". Se quem tinha mais informação era quem, há uns anos atrás, detinha mais poder, será de considerar que actualmente, o mais importante é saber procurar, gerir e filtrar essa informação. É por esta razão que defendo que, a começar pelo ensino básico ao secundário, os professores deveriam recusar-se a corrigir "copy past" retirados da net que bem encadernadinhos e bem formatados, são atraentes aos olhos mas que de conteúdo e prova de conhecimentos não têm absolutamente nada! Eu faço isso com os meus formandos! Procuro palavras-chave, faço uma busca no google, encontro o documento "violado", anexo ao trabalho e recuso corrigi-lo! Os primeiros trabalhos são dolorosos, geram alguns ressentimentos e correndo o risco de não ser muito popular entre os estudantes, sei que, no fim, a mensagem será entendida e terá valido a pena. Um destes dias, mostro-vos os frutos deste trabalho com alunos do 10º/11º ano. Acreditem que é bonito vê-los crescer!!
Triste, triste é saber da existência de professores (no secundário) tão ignorantes ou mais que os alunos, que premeiam o Facilitismo e substimam quem verdadeiramente se esforça. Perguntam vocês, porque escrevo sobre esta matéria aqui e o que "temos nós a ver com isso". Penso que, já que no futuro seremos Técnicos Superiores de Ciências da Educação, temos um papel a desempenhar na Formação de Professores, Formadores e outros educadores... São estes os responsáveis pela construção de um mundo melhor. Ou sou eu que sou demasiado idealista e sonhadora? É pecado, no mundo actual, encarar a nossa profissão como uma missão??? Deveria estar em África ou na Índia fazendo papel de missionária?